sexta-feira, 30 de novembro de 2007

O dilema entre livros e filmes

Sou apaixonado, assim como tu, por literatura e cinema. Por isso achei ótimo o artigo a respeito publicado no New York Times, por Rachel Donadio, escritora e editora. A ele:

Chegou a temporada dos concorrentes ao Oscar e os multiplexes estão lotados de adaptações literárias, inclusive as versões dos Irmãos Coen para "No Country for Old Men", de Cormac McCarthy, e de Mike Newell para "Amor no Tempo do Cólera", de Gabriel García Márquez. Ainda para este ano, estão programados os lançamentos de "Atonement", de Ian McEwan, "The Golden Compass", de Philip Pullman e "Persepolis", de Marjane Satrapi.

Escritores de livros têm rumado para o Oeste em busca de fama e fortuna desde os tempos de Hemingway e Fitzgerald e livros têm há muito inspirado filmes. Mas atualmente, algumas editoras estão indo diretamente para a indústria do cinema. No mês passado, HarperCollins, uma divisão da News Corp., anunciou uma parceria com a Sharp Independent para produzir filmes baseados nos livros lançados pela HarperCollins. Ao mesmo tempo, a Random House Inc. se uniu à Focus Features para co-produzir entre dois e três filmes por ano baseados em alguns de seus livros de ficção ou não-ficção. A primeira colaboração desse tipo foi o filme "Reservation Road", em cartaz nos Estados Unidos, dirigido por Terry George e baseado no romance que John Burnham Schwartz lançou em 1998.

Essas parcerias dão às editoras uma participação maior no negócio do que os tradicionais acordos de cessão de direitos, que normalmente dão a elas pouco mais do que publicidade para o lançamento conjunto de livro e filme. Agora, Random House e HarperCollins vão receber uma porção das bilheterias, além de lucros sobre DVDs e transmissão para TV e outras mídias. E os escritores vão ganhar mais poder na escolha de roteiristas, atores e diretores.

Alguns estão preocupados que esta relação cada vez mais íntima entre Hollywood e as editoras possa estar mudando as expectativas de sucesso literário - e mesmo alterando a forma como os escritores encaram o seu trabalho. Atualmente, "muitos escritores acham que seus livros não valem nada a não ser que se transformem em filmes", disse Annie Proulx em junho no Festival Literário de Capri, ao falar sobre a experiência de ter o seu conto "Brokeback Mountain" adaptado para as telas. "Eu acho que as pessoas estão escrevendo livros com um olho voltado para os cinemas", ela disse, uma evolução que ela considera "desinspirante". Mas entrevistas com diversos romancistas que trabalharam com Hollywood sugerem que a situação pode ser mais complicada e que o processo pode não ter apenas lhes dado um salário mais gordo, mas pode ter contribuído com algumas idéias a respeito de como contar suas histórias.

Romancistas e a indústria do cinema não foram sempre tão amigáveis. "Na primeira vez que eu fui a Hollywood, eu tive a sensação de que seria melhor eu não dizer que era um romancista", conta John Sayles, que publicou histórias em The Atlantic Monthly e escreveu o romance "Union Dues", que foi indicado para o National Book Award de 1978 antes de se tornar um roteirista e diretor. Além de dirigir seus próprios roteiros para filmes como "Matewan", "Lone Star" e "Honeydripper", a ser lançado em dezembro, ele escreveu cerca de 40 roteiros para outros diretores. O estúdios, Sayles aprendeu rapidamente, vêem os romancistas como "aqueles caras que reclamam depois do filme estar pronto ou que nos fazem gastar US$ 100 mil para escrever o primeiro rascunho do roteiro antes que a gente passe para um profissional que vai cuidar dele". Muitos romancistas, ele diz, "apenas pegam o dinheiro e fogem ou pegam o dinheiro e reclamam".

Atualmente, afirma Sayles, escrever ficção para ele virou apenas um "hobby", assim como um espaço para experimentação. Um romance permite muitos e diferentes pontos de vista, ele notou, enquanto num filme, há basicamente apenas três: o omnisciente ("a tomada da casa pelo lado de fora à noite"); o do protagonista ("de dentro do closet enquanto a serra elétrica corta a porta"); e do antagonista ("através da máscara de hockey"). E romances podem expandir exatamente onde filmes precisam comprimir. Agora, Sayles está escrevendo um livro que começou como um roteiro - até que ele percebeu que nunca conseguiria juntar o dinheiro necessário para produzir algo que se passa nas Filipinas durante a Guerra Hispano-americana.

Outros romancistas dizem que o trabalho para filmes deu a eles diferentes noções de possibilidades narrativas. Schwartz, que escreveu o roteiro para "Reservation Road", diz que escrever para cinema teve um efeito "desinibidor" sobre a sua ficção, inspirando ele a cortar entre cenas de uma forma "mais agressiva". Michael Ondaatje, cujo romance "The English Patient" se tornou um filme ganhador de Oscar, diz que sua própria experiência em diversos projetos de documentários lhe ensinaram sobre o poder de decisões aparentemente pequenas. "Eu reconheço quanto intrincada e microscópica é a arte de edição", afirma ele. "Você corta algo que é um vigésimo de um frame e você faz uma enorme diferença no andamendo."

Diane Johnson, cujos romances incluem "Le Divorce" e "Le Mariage", diz que o trabalho para escrever roteiros deu a ela uma noção mais forte de estrutura. Stanley Kubrick, que a contratou para escrever o script baseado no romance "The Shining", de Stephen King, era um criador de situações elaboradas. A insistência dele em "criar um estrutura antes de passar para os detalhes de uma cena combinou muito bem com o trabalho de escrever romances", ela disse. "Eu não sei ao certo se ser uma romancista ajuda no trabalho de roteirista", ela acrescenta. "Eu acho que é mais no sentido oposto."

Um contrato para um filme também ajudou a carreira de Tom Perrotta como romancista, mesmo que não do jeito que alguns detratores podem imaginar. Quando seu romance "Election" foi publicado em 1998, ele disse, "eu tive uma porção de críticas afirmando que 'ele escreveu isso para virar um filme'", uma idéia que ele considera "risível". Na verdade, ele havia escrito o livro anos antes, mas ele ficou dentro de uma gaveta até que alguém o colocou em contato com um produtor de cinema, que mostrou os originais para o diretor Alexander Payne, que comprou os direitos para filmar a história, que garantiu então a publicação do livro. Desde então, ele não tem problemas para publicar os seus romances - ou filmá-los. Ele foi o co-roteirista para o filme baseado em seu romance "Little Children" e também foi contratado para escrever a versão em roteiro do seu novo romance "The Abstinence Teacher". "Escrever roteiros", ele diz, "tem o efeito paradoxal de fazer de mim um escritor mais literário, muito mais consciente do que eu posso fazer em um romance e não posso fazer em um roteiro".

Alguns escritores, porém, insistem que ter seus romances transformados em filmes não teve influência nenhuma em seus modos de escrever. "Meu trabalho é bem resistente a ser filmado e se a indústria cinematográfica se preocupar em tentar, está ótimo para mim e indica uma certa fortitude da parte deles", diz Rick Moody, cujo romance "The Ice Storm" foi adaptado por Ang Lee. "Mas eu não penso sobre o cinema quando estou compondo romances ou contos." Mesmo que ele estivesse em contato com o diretor e produtor durante as filmagens, Moody disse que ele tentava seguir o conselho de Hemingway, que ele resume assim: "Dirija até a fronteira da Califórnia, jogue o seu livro sobre a cerca. Quando eles jogarem o dinheiro de volta, você dirige de volta para casa".

Chuck Palahniuk também diz que está feliz apenas em sentar nos fundos da sala enquanto os diretores fazem o trabalho deles. Palahniuk trabalhava como mecânico quando o seu romance de 1996 "Fight Club" foi transformado em filme pelo diretor David Fincher. "Eu apenas larguei meu emprego... por que meu telefone não parava de tocar e não podia mais trabalhar", ele contou em um e-mail. "No dia que 'Fight Club' começou a ser filmado, meu agente me mandou uma dúzia de rosas para a garagem onde eu trabalhava - isso mudou um pouco a forma como os outros mecânicos me olhavam." Em agosto, ele viajou para Nova York para acompanhar Clark Gregg nas filmagens de seu romance "Choke". "É interessante assistir às interpretações", Palahniuk disse. "Além disso, eu como o meu peso em lanches de set e me deleito durante as cenas de nus."

Em um artigo recente para Nextbook.org, Bruce Jay Friedman consolidou o que pode ser a atitude mais saudável em relação à experiência de escrever para livros ou filmes. Ele adorou "The Heartbreak Kid", adaptação feita por Neil Simon e Elaine May em 1972 para o seu conto "A Change of Plan", sobre um homem que se apaixona por outra mulher durante a lua-de-mel. "Existe pouca coisa que eu possa fazer", escreveu Friedman, "além de assistir ao filme, aceitar os elogios por tudo aquilo que for legal e negar qualquer envolvimento naquilo que não for."

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Primeiro Kurosawa legítimo aparece em DVD


Yoidore Tenshi (Drunken Angel, Akira Kurosawa, Japão, 1948) não é o primeiro filme de Akira Kurosawa, mas certamente foi o primeiro a levar para as telas aquilo que ficou característico na obra do cineasta japonês: grande fotografia, ótimas atuações e uma ambientação com diversas referências mitológicas e autobiográficas.

Não por acaso, é também a primeira colaboração entre Kurosawa e o ator Toshirô Mifune, que seria repetida em outras obras-primas como Os Sete Samurais e Yojimbo.

Mifune foi um ator de maneirismos e de personalidade única nas suas interpretações. Sempre dando a seus personagens temperamentos fortes e físicos, nesse filme, ainda jovem, ele já mostrava o que poderia fazer nas películas posteriores.

Aqui, Mifune interpreta um jovem magrinho que ingressa na Yakuza (a máfia japonesa). O ambiente do filme -- e por isso é um Kurosawa característico -- é um favela que tem bem no seu centro um simbólico lago de águas pútridas. Esse mafioso, depois de uma luta, vai até um médico alcoólatra, interpretado por Takashi Shimura, que diagnostica um avançado estado de tuberculose, que precisa ser tratado imediatamente. Algo a que o personagem de Mifune se recusa a fazer. Os dois personagens têm uma relação de pai e filho que percorrerá quase toda a obra do diretor.

Nesse filme, Kurosawa mistura dois gêneros bem característicos: o filme noir, que estava em moda na mesma época em Hollywood, com seus ambientes claustrofóbicos e sombrios; e os dramas urbanos de crítica social, que haviam ocupado a indústria norte-americana duas décadas antes, em que reformas sociais e políticas são declaradamente pedidas pelo diretor ativista.

Esse filme está agora disponível para o grande público em DVD da Criterion Collection.

Preste atenção na cena de grande plasticidade em que o personagem de Mifune e o seu ex-patrão mafioso lutam com facas e acabam caindo em uma piscina de tinta branca.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O melhor roteiro de Hollywwod faz 65 anos

Há 65 anos, era finalizado para filmagem a obra-prima assinada por Julius J. Epstein, Philip G. Epstein e Howard Koch. A qualidade fundamental da obra, que pode ser lida como libelo político, filme romântico ou épico pessoal, é o que faz ela sobreviver com o mesmo vigor até hoje.

Casablanca (Michael Curtis, EUA/França/Alemanha, 1942) foi eleito o melhor roteiro pelo Instituto Americano de Cinema e ocupa essa posição até hoje seguido por The Godfather (O Poderoso Chefão, 1972).

O filme conta a história de um microcosmos formado pela situação criada pela Alemanha nazista no norte da África. Na cidade de Casablanca, no então protetorado francês do Marrocos, muitos refugiados da Europa esperavam permissões para voar até Portugal e dali partir para a "Terra Prometida", que eram os Estados Unidos.

Nesse ambiente político, o roteiro usa as nacionalidades dos personagens para fazer a sua crítica e construir o ambiente. Os refuagiados ali são todos da Europa Central, contrários ao regime nacional-socialista de Berlim; os franceses aparecem como personagens ambivalentes, cúmplices dos alemães, mas não inteiramente alinhados com esses; os vilões são os alemães e os italianos.

Humphrey Bogart vive Rick, um ex-combatente da Guerra Civil Espanhola que virou um cínico dono de boate. Durante o filme, ele evolui de uma indiferença à situação de caos reinante até uma implicação total no conflito. Essa evolução é uma alegoria ao papel que os Estados Unidos deviam ter na Segunda Guerra Mundial, se abandonasse o isolamento.

Casablanca era para ser originalmente uma peça de teatro. Mas em 8 de dezembro de 1941, dia seguinte ao ataque japonês a Pearl Harbor, os roteiristas mandaram uma primeira versão para cinema para os estúdios Warner. Como a procura por filmes patrióticos estava grande, foi logo aceito.

O informe elaborado pelo governo americano sobre o projeto de Casablanca afirmava, entre outras coisas, que: "o filme pode nos ajudar a ganhar a guerra, pois mostra os Estados Unidos como um refúgio para os oprimidos"; "mostra que o desejo pessoal deve ser subordinado ao objetivo de derrotar o fascismo"; e, "Rick é um personagem que lutou com as forças leais na Espanha, o que ajudará o público norte-americano a entender que a nossa luta não teve início em Pearl Harbor".

É estimado que mais de 2 mil filmes com aspectos mais ou menos propagandísticos foram realizados nos anos de guerra. Mas Casablanca é único por não ser propriamente uma história de guerra nem de espionagem e possuir diversas qualidades ímpares na fotografia e nos diálogos, em especial.

Um dos pontos mais incríveis de Casablanca é a qualidade dos personagens secundários, geralmente elementos mais rasos dentro de um roteiro. Nesse filme, eles são fundamentais. E essa qualidade se deve às interpretações. Muitos dos atores secundários eram alemães ou com origem em países ocupados pelo Terceiro Reich, que havia fugido por serem judeos, homossexuais, contrários ao regime, ou combinações entre essas causas.

Alguns tiveram que fazer papéis de nazistas como Conrad Veidt, que faz o major Strasser.

No meio de todo esse quadro político, os irmãos Julius e Philip Epstein carregaram a mão mais no triângulo amoroso formado por Rick, por sua amante Ilsa (Ingrid Bergman) e pelo marido dela e líder da resistência na Tchecoslováquia, Victor Lazslo (Paul Henreid). E é dessa história de amor que se alimenta a fama do filme até os dias de hoje. Afinal, como escreveu o crítico Apollo Guide, Casablanca é um filme para todos aqueles que perderam um amor".

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Sala escura (23, 24 e 25 de novembro)

Sugestões do Cinemais para o fim de semana.

Planeta Terror (Planet Terror, Robert Rodríguez, EUA, 2007)
Um acidente com um projeto do governo contamina uma cidade inteira, transformando a população em zumbis. Nesse ambiente de caos, surge um grupo rebelde, formado entre outros por um xerife, uma stripper que não tem a perna direita e o seu ex-namorado. Esse é também o ambiente criado por Robert Rodríguez para exercitar sua criatividade ciber-punk de violência .

Crimes de Autor (Roman de Gare, Claude Lelouch, França, 2007)

Viajando por uma estrada para apresentar o noivo aos pais, uma cabeleireira é abandonada pelo seu ele, que some com o carro, todo o dinheiro a bolsa dela. Mas isso não tira a esperança dela de que ele voltará para encontrá-la. Um homem misterioso que acompanha a história concorda em se passar pelo noivo para evitar a humilhação dela diante dos pais. Em Paris, as rádios falam do desaparecimento de um pedófilo. O filme participou da seleção para o Festival de Cannes de 2007.


A Loja Mágica de Brinquedos (Mr. Magorium's Wonder Emporium, Zach Helm, EUA, 2007)

Muito parecido com o clássico A Fantástica Fábrica de Chocolates, esse filme conversa melhor com crianças ou adultos de espírito lúdico. Dustin Hoffman interpreta o Sr. Magorium de 243 anos de idade, dono da loja de brinquedos que decide se aposentar. Natalie Portman vive a gerente que pode assumir o comando da loja. Uma fábula interessante sobre morte e espírito livre. Vale levar as crianças.



Onde ver:


  • Planeta Terror
Cine Bombril, 2 - 22h

Frei Caneca Unibanco Arteplex, 4
- 17h

Gemini, 1
- 14h30 - 21h

Moviecom Boa Vista, 5
- 21h30
15h - sáb. e dom.

Multiplex Bristol, 3 - 21h05
23h30 - sex. e sáb.

Raposo Shopping, 4
- 19h - 21h30

Shopping Anália Franco - UCI, 5
- 21h30
23h45 - sex. e sáb.

Shopping Jardim Sul - UCI, 5
- 14h45 - 19h15
23h45 - sex. e sáb.

Shopping Leste Aricanduva - Cinemark, 7
- 18h50
23h45 - sex. e sáb.

Shopping Morumbi - Cine Tam, Nova York
- 22h

Shopping SP Market - Cinemark, 11
- 22h20

Shopping Santa Cruz - Cinemark, 4
- 21h30 (exceto sáb.)
0h - sex. e sáb.


  • Crimes de Autor
Cine Bombril, 2 - 14h - 16h

Cine Lumière, 1 - 12h50 - 15h - 17h10 - 19h20 - 21h30

Espaço Unibanco, 2
- 16h - 20h

Frei Caneca Unibanco Arteplex, 7 - 13h - 15h - 19h40 - 21h50

Reserva Cultural de Cinema, 4 - 13h10 - 15h10 - 17h10 - 19h10 - 21h10

Shopping Market Place - Playarte, 3 - 12h50 - 15h - 17h10 - 19h20


  • A Loja Mágica de Brinquedos
Centerplex Lapa, 2 - 16h30 - 18h35 - 20h40
dublado

Cinemark Boulevard Tatuapé, 3 - 13h20 - 15h30 - 17h40 - 19h50 - 22h
0h10 - sex. e sáb.
dublado

Eldorado, 8
- 13h40 - 15h50 - 18h - 20h10 - 22h20
dublado

Frei Caneca Unibanco Arteplex, 6 - 13h - 15h - 17h - 19h

Kinoplex Itaim, 2 - 14h40 - 16h50 - 19h - 21h10
23h10 - sex. e sáb.

Moviecom BoaVista, 2 - 17h10 - 19h15 - 21h10
15h15 - sáb e dom.
dublado

Multiplex Bristol, 4 - 13h20 - 15h20 - 17h20 - 19h20 - 21h20
23h20 - sex. e sáb.

Multiplex Plaza Sul, 2 - 13h10 - 15h10 - 17h10 - 19h10 - 21h10
dublado

Shopping Anália Franco - UCI, 1 - 14h30 - 16h30 - 18h30 - 20h30 - 22h30
12h30 - sáb. e dom.
dublado

Shopping Anália Franco - UCI, 7 - 13h - 15h10 - 17h10 - 19h15 - 21h20
23h25 - sex. e sáb.
dublado

Shopping Butantã, 1 - 13h15 - 15h15 - 17h15 - 19h15 - 21h15
dublado

Shopping Center Iguatemi, 1 - 13h - 15h - 17h - 19h - 21h

Shopping Center Iguatemi - Cinemark, 5 - 13h20 - 15h30 - 17h40 - 20h
dublado

Shopping Center Norte - Cinemark, 1
- 13h25 - 15h35 - 17h45
dublado

Shopping Center Penha - Moviecom, 7
- 17h10 - 19h15 - 21h10
15h - sáb e dom.
dublado

Shopping Central Plaza - Cinemark, 10 - 14h40 - 16h50 - 19h - 21h20
23h35 - sex. e sáb.
dublado

Shopping Continental, 2 - 13h30 - 15h30 - 17h30 - 19h30 - 21h30
dublado

Shopping D, 4 - 13h - 15h10 - 17h20 - 19h30 - 21h40
0h - sex. e sáb.
dublado

Shopping Interlagos - Cinemark, 3 - 14h40 - 17h05 - 19h25 - 21h50
dublado

Shopping Interlagos - Cinemark, 4
- 14h40 - 17h05 - 19h25
dublado

Shopping Jardim Sul - UCI, 9
- 14h05 - 16h10 - 18h15 - 20h50 - 22h25
12h - sáb. e dom.
dublado

Shopping Leste Aricanduva - Cinemark, 6 - 15h45 - 18h - 20h15
dublado

Shopping Leste Aricanduva - Cinemark, 10
- 14h40 - 17h05 - 19h25 - 21h50
0h10 - sex. e sáb.
dublado

Shopping Market Place - Cinemark, 2
- 13h40 - 15h50 - 18h - 20h10 - 22h20
0h30 - sex. e sáb.
dublado

Shopping Metrô Tatuapé - Cinemark, 1 - 13h15 - 15h30 - 17h40 - 20h - 22h10
0h25 - sex. e sáb.
dublado

Shopping Morumbi - Cine Tam, Paris - 13h - 15h - 17h - 19h - 21h
23h - sáb.

Shopping Pátio Higienópolis - Cinemark, 5 - 14h - 16h10 - 18h20 - 20h30
dublado

Shopping SP Market - Cinemark, 3
- 14h40 - 17h05 - 19h25 - 21h50
0h10 - sex. e sáb.
dublado

Shopping Santa Cruz - Cinemark, 10 - 13h10 - 15h30 - 17h50 - 20h10 - 22h20
0h30 - sex. e sáb.
dublado

Shopping Villa-Lobos - Cinemark, 1 - 12h40 - 14h50 - 17h10 - 19h30 - 21h40
23h50 - sex. e sáb.
dublado

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Sidney Lumet: o retratista do espírito de NYC

Sidney Lumet está com 83 anos. E lança mais um filme, ao mesmo tempo que prepara outro programado para sair em 2009. Mais um filme que se passa em Nova York.

Lumet, para mim (e essa é uma opinião bastante contraditória), é o grande cineasta a representar Nova York. Ele não tem a devoção escancarada de Woody Allen nem a simbiose de Martin Scorsese. Mas Lumet conseguiu durante os anos imprimir em seus filmes as auras que circundavam a cidade em diferentes épocas.

Quem pode deixar de se emocionar com as cenas de abertura de Dog Day Afternoon ("Um Dia de Cão", 1975). As imagens do cotidiano das pessoas do Brooklyn, dormindo na rua, lavando calçadas, saindo do supermercado, são emblemáticas dos anos 70. E a reação do povo ao apoiar o assaltante de banco Sonny, vivido por Al Pacino, é muito representativa daqueles anos de luta para liberdade de expressão e contra o poder instituído.



No seu novo filme, Before the Devil knows You're Dead (2007, roteiro de Kelly Masterson), Lumet está de volta a Nova York. Mais especificamente ao distrito de compra e venda de diamantes de Manhattan. E ele coloca nesse cenário um história de destruição e fatalismo.

A inveja, a ganância e o ciúmes corroem as relações humanas entre membros de uma mesma família até que o patriarca chega à sua conclusão cabal: "O mundo é um lugar mau".

O demônio do título não cabe em grandes monstros ou acontecimentos terríficos. Ele está simplesmente escondido, camuflado, nos pecadilhos que todos cometemos diariamente, movidos por ganância, pressa, desejo ou cobiça. Na história de Masterson, isso termina em assassinato.

E é esse assassinato que será o ponto focal da narrativa do filme. Lumet volta a ele diversas vezes para contar as implicações do crime na vida de diversos personagens.

Os assaltantes são Andy and Hank Hanson (Philip Seymour Hoffman e Ethan Hawke), que decidem roubar a joalheria do pai. Acabam matando um amigo e ferindo a própria mãe.

O grande diretor é aquele que deixa os atores construirem seus personagens. E é exatamente isso que Lumet costura. Tanto Seymour Hoffman quanto Hawke não têm grandes linhas de diálogos nem vão a psicólogos falar de seus problemas, mas no final do filme, todos conhecemos os dois por dentro e por fora através de suas atuações.

Como em Dog Day Afternoon, Before the Devil Knows You're Dead carrega a cidade em cada seqüência. Há uma atmosfera da Nova York dos anos 2000 nas ruas de Manhattan, nas roupas e atitudes dos personagens e na maneira de se fazer negócios.

E o Lumet claustrofóbico de sempre, com suas situações aparentemente sem saída e catastróficas, segue ditando o ritmo desse filme cheio de zigue-zagues e elipses, mas que conta com perfeição uma história universal.

Preste atenção: nas atuações de Seymour Hoffman, principalmente nas cenas em close-up.

Pequena gafe: como todos os bandidos norte-americanos, os irmãos pensam em fugir para o Rio de Janeiro. A esposa de Andy, Gina (Marisa Tomei), lembra o marido de que não há acordo de extradição de criminosos entre os Estados Unidos e o Brasil. Não é verdade, mas não compromete o enredo.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Eisner, ex-Disney, critica greve de roteiristas

O ex-CEO da Disney Michael Eisner falou para The New York Times sobre o futuro que ele enxerga para o entretenimento digital e os problemas com a greve declarada pelos roteiristas de cinema e televisão dos Estados Unidos, que querem uma maior participação nos lucros dos produtos lançados na internet.

Pergunta - Como ex-CEO da Disney e fundador de uma empresa para investir no futuro do entretenimento digital, o senhor falou em uma conferência recente para investidores onde chamou a greve dos roteiritas de "estúpida" e "insana". O senhor poderia explicar essas declarações?

Michael Eisner - Eu estava me referindo mais ao momento em que a greve foi lançada. É uma bobagem fazer uma greve numa área de negócios que ainda não está suficientemente evoluída nem mesmo para sabermos se haverá negócios nessa área no futuro.

Pergunta - Mas as redes de televisão já não estão tendo lucros a partir de programas que são exibidos na internet? Não é exatamente por uma parte desses lucros que os roteiristas estão brigando?

Eisner - Não. As áreas que estão dando dinheiro para as televisões são aquelas que eu gosto de chamar de "reusadas" -- os filmes para download ou as séries de TV para download. Sobre essas áreas, os produtores já concordaram em fazer um acordo com a Writers Guild of America (o sindicato dos roteiristas). A área em que não pode haver negociação ainda é a de produções originais para a internet, que ainda não é lucrativa nem se sabe em que direção está indo.

Pergunta - Mas existe um grande bolo de rendimentos aí.

Eisner - Mas não um bolo de lucros.

Pergunta - Então o que o senhor está dizendo é que não há nenhuma migalha para os roteiristas nesse momento?

Eisner - Não é uma questão sobre os roteiristas. Do jeito que você coloca parece que há alguma hostilidade nessa questão. Ainda não existem migalhas para ninguém. Os programas que eu fiz para "Prom Queen" custaram cerca de US$ 3.000,00 cada 90 segundos. Nós ainda não tivemos uma sacudida no mercado capaz de fazê-lo se tornar lucrativo.

Pergunta - O senhor está se referindo a uma série nova que o senhor fez expressamente para a internet. Como está o projeto "Prom Queen"?

Eisner - Vuguru é a produtora que fez "Prom Queen" e "Prom Queen: Summer Heat", que é a seqüência. A primeira temporada fez alguns milhares de dólares. A segunda deu prejuízo.

Pergunta - Que tipo de nome é esse: Vuguru? Para mim soa como o nome de uma droga, como Vioxx ou Viagra.

Eisner - Se o nome lembra você de algo que cria força, eu acho que está OK. Em francês, "vous" é a segunda pessoa do plural. Vuguru - você é o guru da audiência. É apenas uma palavra criada.

Pergunta - No mês passado, o senhor investiu US$ 385 milhões para comprar a Topps, que fabrica o chiclete Bazooka e cartões de beisebol.

Eisner - Topps é uma marca que está presente na lembrança de todos os homens americanos com menos de 70 anos. Eu posso partir dessa marca e criar uma empresa de mídia esportiva. A Topps tem muitas marcas relacionadas a ela. A própria Bazooka tem o Bazooka Joe. Eu poderia me divertir muito fazendo um filme com o Bazooka Joe, por exemplo.

Pergunta - O senhor acredita que a corrida presidencial do ano que vem está se tornando uma subdivisão da indústria do entretenimento?

Eisner - Eu não acredito, não. Essa visão diminui o nosso sistema político.

Pergunta - O senhor já sabe quem vai apoiar nessa campanha?

Eisner - Eu realmente não tenho muitas opiniões políticas que possam engrandecer as páginas de The New York Times.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Sala escura (15, 16, 17 e 18 de novembro)

Mais um feriado longo. Para quem ficar em São Paulo, essas são as sugestões de Cinemais.

O Passado ("El Pasado", Hector Babenco, Argentina/Brasil, 2007)

Primeiro filme do diretor argentino depois de Carandiru, esse quase autobiográfico filme sobre um jovem tradutor (Gael Garcia Bernal) que se vê pressionado pela ex-mulher em um jogo de chantagem em que as memórias do passado em comum dos dois têm um papel fundamental. Como brinde, o filme trás a última atuação de Paulo Autran no cinema. Ler a crítica do Cinemais.


Um verão para toda a vida (December Boys, Rod Hardy, Austrália/Inglaterra/EUA, 2007)

Quatro órfão vivem como irmão no orfanato de um convento no deserto australiano. De presente de aniversário (todos completam anos em dezembro), eles ganham do padre superior uma viagem até uma cidade do litoral. Na cidade, eles conhecem um casal infértil que pensa em adotar uma criança. Uma disputa entre eles surge para ser o escolhido. Ao mesmo tempo, o mais velho deles, sabendo que não deve ser adotado por causa de sua idade, conhece o primeiro amor. O diretor Rod Hardy, que fez The X Files ("Arquivo X", 1993), adapta essa história do romance de Michael Noonan.


Crimes de Autor (Roman de Gare, Claude Lelouch, França, 2007)

Viajando por uma estrada para apresentar o noivo aos pais, uma cabeleireira é abandonada pelo seu ele, que some com o carro, todo o dinheiro a bolsa dela. Mas isso não tira a esperança dela de que ele voltará para encontrá-la. Um homem misterioso que acompanha a história concorda em se passar pelo noivo para evitar a humilhação dela diante dos pais. Em Paris, as rádios falam do desaparecimento de um pedófilo. O filme participou da seleção para o Festival de Cannes de 2007.


Onde ver:

  • O Passado
Cinemark Boulevard Tatuapé, 2 - 21h50
0h20 - sex. e sáb.

Eldorado, 6 - 12h40 - 15h10 - 17h40 - 20h05 - 22h35

Frei Caneca Unibanco Arteplex, 7 - 14h10 - 16h4 - 19h10 - 21h40

HSBC Belas Artes, Villa-Lobos - 14h - 16h20 - 18h40 - 21h

Kinoplex Itaim, 1 - 15h40 - 18h20 - 20h50

Multiplex Bristol, 3 - 13h30 - 16h - 18h30 - 21h
23h45 - sex. e sáb.

Multiplex Bristol, 5 - 16h30
21h30 - qui.

Multiplex Bristol, 6 - 13h30 - 16h - 18h30
21h - ter.

Reserva Cultural de Cinema, 2 - 14h - 16h20 - 18h40 - 21h

Shopping Center Iguatemi - Cinemark, 2 - 15h - 17h25 - 19h50 - 22h20
12h20 - sáb. e dom.

Shopping D, 9 - 13h05 - 15h40

Shopping Market Place - Cinemark, 5 - 15h

Shopping Pátio Higienópolis - Cinemark, 4 - 15h - 17h40 - 20h20
12h30 - sáb. e dom.
23h - sex. e sáb

Shopping Santa Cruz - Cinemark, 8 - 22h
0h30 - sex. e sáb.


  • Um verão para toda a vida
Frei Caneca Unibanco Arteplex, 4 - 17h30

Multiplex Bristol, 7 - 13h10 - 15h20

Shopping Jardim Sul - UCI, 8 - 19h20 - 21h35 - 23h50

Shopping Market Place - Palyarte, 3 - 16h - 16h30

Shopping SP Market - Cinemark, 3 - 22h30


  • Crimes de Autor
Frei Caneca Unibanco Arteplex, 9 - 0h - pré-estréia sáb.