quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Sala escura (14, 15 e 16 de dezembro)

Não há razões para ficar em casa neste fim de semana. A previsão é de tempo ruim e temos grandes filmes estreando. Sugestões do Cinemais para o fim de semana nos cinemas.

O Sobrevivente (Rescue Dawn, Werner Herzog, EUA, 2006)
Simplesmente imperdível, esse filme conta uma história real que já foi filmada pelo próprio Herzog em forma de documentário. É a história de prisioneiros de guerra americanos no Vietnã, que tentam escapar do cativeiro enquanto seus companheiros não poupam esforços para localizá-los. A direção segura de Herzog permitiu a Christian Bale uma atuação incrível, comparável a sua performance em O Maquinista. Uma alegoria poética ao espírito humano e à crueza estúpida da guerra.

A Vida dos Outros (Das Leben der Anderen, Donnersmarck, ALE, 06)

Ganhador do Oscar de melhor filme em língua estrangeira, esse drama é ambientado em Berlim Oriental no ano de 1984. O capitão Wiesler (Ulrich Muhe) é um dos melhores e mais dedicados funcionários da polícia secreta, a Stasi, que vigia toda a população da porção comunista de Berlim.Wiesler é encarregado de levantar informações contra um dramaturgo, porque o seu superior está interessado na esposa dele. Mas Wiesler nada consegueue desabone o artista. Um filme sobre lealdade, obediência e justeza moral. Preste atenção em como o diretor, mesmo em seu filme de estréia, consegue um equilíbrio perfeito entre o horror da tortura e o cômico de um Estado vigilante.

Novo Mundo (Nuovomondo, Emanuele Crialese, ITA/ALE/FRA, 2006)
Baseado em cartas de imigrantes italianos que viajaram para os Estados Unidos no início do século XX fugindo das carestias da Europa e em busca do sonho de uma vida mais confortável, o filme recebeu seis prêmios no Festival de Veneza (incluindo Revelação e Melhor Filme). O filme conta a história da família Mancuso que deixa a Sicília. Durante a viagem, Salvatore Mancuso se apaixona por uma mulher inglesa. A chegada aos Estados Unidos marca o reinício das lutas da família, agora para permanecer unida. O ator Vincent Schiavelli morreu durante as filmagens do longa.

Onde ver:

  • O Sobrevivente
Cine Lumière, 1 - 14h - 16h30 - 19h - 21h30

Frei Caneca Unibanco Arteplex, 4 - 16h10 - 18h50 - 21h20
0h - sáb.

Multiplex Bristol, 1 - 14h - 16h30 - 19h - 21h30
23h59 - sáb. e dom.

Shopping Anália Franco - UCI, 6 - 13h - 15h35 - 18h10 - 20h45
23h30 - sex. e sáb.

Shopping Center Iguatemi, 1 - 14h - 16h30 - 19h - 21h30

Shopping Jardim Sul - UCI, 3 - 13h - 15h35 - 18h10 - 20h45 - 23h20 - sex. e sáb.

Shopping Market Place - Playarte, 1 - 14h - 16h30 - 19h - 21h30

Shopping Morumbi - Cine Tam, Londres - 14h10 - 16h40 - 19h10 - 21h40
0h - sáb.

Shopping Santa Cruz - Cinemark, 9 - 16h05 - 19h - 21h40
0h20 - sex. e sáb.

  • A Vida dos Outros
Cine IG, 1 - 14h - 16h30 - 19h - 21h30

Espaço Unibanco, 2 - 14h - 16h30 - 19h - 21h30
0h - sáb.

Frei Caneca Unibanco Arteplex, 6 - 13h20 - 16h - 18h40 - 21h20
0h - sáb.

HSBC Belas Artes, Cândido Portinari - 13h30 - 16h - 18h30 - 21h
23h30 - sáb.

Kinoplex Itaim, 2 - 17h50 - 20h40
15h - sáb. e dom.
23h20 - sex. e sáb.

Multiplex Bristol, 7 - 15h45 - 21h15
23h59 - sex. e sáb.

Reserva Cultural de Cinema, 3 - 16h10 - 18h50 - 21h30

Shopping Jardim Sul - UCI, 4 - 14h - sex. e sáb.
21h30 - dom.

Shopping Market Place - Cinemark, 7 - 19h35 - 22h30

Shopping Market Place - Playarte, 3 - 18h15 - 21h

Shopping Villa-Lobos - Cinemark, 2 - 18h - 21h10
0h - sex. e sáb.

  • Novo Mundo
Cine Bombril, 1 - 14h - 16h30 - 19h

Reserva Cultural de Cinema, 2 - 13h20 - 15h55 - 18h35 - 21h10
23h40 - sáb.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

A Vida dos Outros (Das Leben der Anderen, 06)

O filme de estréia do diretor alemão Florian Henckel von Donnersmarck fez muito mais do que ganhar o Oscar de Melhor filme em língua estrangeira. Ele conciliou, em uma história extremamente bem contada, suspense, melancolia, romance e uma crítica cáustica ao Estado policialesco e antiético da Alemanha Oriental comunista. O resultado pode ser conferido nas salas de São Paulo.

Até que ponto um homem correto pode ir no cumprimento de seu deveres? Essa é a questão central do filme que se amplia ao considerarmos o ambiente em que a história se passa. O capitão Gerd Wiesler (Ulrich Muhe) é um dos mais competentes oficiais da Stasi, a polícia secreta do Estado militar da Alemanha Oriental. O rigor visual e narrativo de von Donnersmarck nos leva a essa Alemanha comunista de 1984 (não por acaso o ano orwerlliano do Grande Irmão) para nos mostrar uma porção ainda obscura da História -- uma porção brutal, cruel e amoral fomentada pelo Estado comunista.

Wiesler recebe a missão de espionar Georg Dreyman (Sebastian Koch), um escritor de peças de teatro famoso. Ele consegue conciliar o respeito da comunidade artística e manter os bons favores do governo, realizando boas peças que agradam politicamente as autoridades. Ele vive com sua namorada, Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck), sua atriz favorita. Os dois homens, um burocrata que valoriza a disciplina militar acima de tudo e um artista, são contrapontos perfeitos dentro do roteiro.

Wiesler é ordenado a espionar e encontrar provas de deslealdade ao Estado contra Dreyman. Isso porque seu superior, Minister Hempf (Thomas Thieme), quer motivos para destruí-lo devido a uma paixão por Christa-Maria. Durante essa investigação, nada de desabonador surge das gravações coordenadas por Wiesler. Como em The Conversation (Francis Ford Coppola, EUA, 1974), o espião se torna simpático às suas presas.

O desenrolar da trama toma contornos de thriller enquanto o cerco a Dreyman vai se fechando e Wiesler passa a tentar protegê-lo silenciosamente.

Preste atenção na beleza plástica das cenas dirigidas por von Donnersmarck. Ele consegue enquadrar o universo de seus personagens em planos simples e corretos, lembrando alguma coisa de Ettore Scola.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

O labirinto de "Twin Peaks" sai em DVD

A série cult de televisão criada por Mark Frost e David Lynch finalmente é lançada em DVD. A Paramount Home Video conseguiu editar todo o material de Twin Peaks em uma caixa de luxo. Os 29 episódios que marcaram uma verdadeira revolução em termos de enredo e trama na televisão chegam ao público no formato "Definitive Gold Box Edition". Além dos 29 episódios, os DVDs trazem o piloto original da série e o final alternativo lançado apenas na Europa. Nos Estados Unidos, o box terá preço inicial de US$ 100.

Para quem seguiu apaixonadamente a investigação do agente do FBI Dale Cooper (Kyle MacLachlan), essa reedição é motivo de comemoração. Para os mais jovens que não acompanharam a série, é uma incrível oportunidade de descobrir um dos maiores mistérios da televisão mundial: Quem matou Laura Palmer?

A série se passa na pequena cidade de Twin Peaks, no frio e úmido Estado de Washington, onde uma estudante é assassinada. A investigação do crime leva à descoberta de intensas e surreais situações por parte do cético investigador Cooper. Lynch ainda não havia se deslumbrado com os limites da criação surreal no cinema, de forma que Twin Peaks é acessível para todos os públicos. E uma aula de roteiro de suspense e mistério.

O conteúdo dos DVDs chega totalmente remasterizado, o que valoriza a impecável apresentação fotográfica da série. A atmosfera de suspense é preservada também pelo novo som que aumenta o drama do enredo.

Outro presente dessa edição é o final europeu da série. Por motivos financeiros, Twin Peaks foi encurtado na versão européia e ganhou um final abrupto e totalmente diferente do original. Esse tropeço de percurso pode ser conferido no material agora lançado.

Mais um bônus é o documentário sobre a série com David Lynch contando os bastidores das gravações. Nele ficamos sabendo que, depois do sucesso inicial de Twin Peaks (lançado em abril de 1990 pela ABC), a série conheceu uma segunda temporada de baixa audiência. Segundo Lynch, porque a ABC insistia em que o crime fosse resolvido prematuramente.

Algo do controle inicial da série deve ter sido mesmo tirado dos seus criadores, pois é famoso o fato de que no início Twin Peaks era recheado de pequenos enigmas para serem resolvidos durante a trama: como o corvo que aparecia morto ou o gigante que se materializava e passava alguma pista para Cooper. Isso se perdeu dentro da trama que passou a contar com fórmulas mais simples de enredo: como o concurso de Miss Twin Peaks, que lembra muito uma comédia adolescente.

De qualquer forma, Lynch e Frost revolucionaram a televisão ao levar para uma rede aberta uma trama complexa como as destinadas para o cinema. Sem a revolução de Twin Peaks, as séries adultas talvez nunca pudesse passar das fórmulas de Dallas (drama) ou Cheers (comédia).

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Ainda por uma fatia maior

Para o presidente do sindicato dos roteiristas dos Estados Unidos (Writers Guild of America), Patric Verrone, a greve dos escritores de filmes e programas de televisão, desencadeada há quase dois meses, passou a ser uma luta não mais por dinheiro, mas por respeito.

Os roteiristas, segundo ele, estão tentando recuperar o status que foi perdido quando as grandes empresas tomaram conta da indústria de entretenimento. "Eu acho que se eles pudessem fazer filmes e séries sem nós, eles fariam, e assim tornariam o nosso trabalho cada vez mais mecânico e simples, com baixíssimo custo e sem arte", disse Verrone.

Os roteiristas pararam de trabalhar alegando que os estúdios não repassam ganhos obtidos com filmes e séries vendidos em DVD ou comercializados na internet. Os produtores dizem que os roteiristas estão pedindo uma fatia de um mercado que ainda não se tornou lucrativo e que por isso interrompem as negociações. Veja post anterior.

Com cinco semanas, a paralisação dos roteiristas já parece estar fadada a entrar em 2008 sem uma solução. Já se consideram como fatos dados que as temporadas de séries de sucesso como Two and a Half Men, Brothers and Sisters e Monk serão interrompidas temporariamente. Nos seus lugares, reprises e reality shows devem invadir as televisões dos norte-americanos depois do Ano Novo.

Os produtores consideram que todas as fórmulas de pagamento para os roteiristas sobre produtos de internet foram apresentadas e desconsideradas pela WGA. Segundo os produtores, não há como discutir ideologicamente com os roteiristas.

O que os produtores chamam de ideológico é o desejo dos roteiristas de estabelecer regras claras quanto a algumas questões financeiras: como um tipo de passe para quando projetos mudam de uma compania para outra; a eliminação da proibição para se organizar greves depois de acordos terem sido acertados entre estúdios e alguns roteiristas; e a separação clara em categorias dos roteiristas de TV, reality shows e cinema.

Os executivos de estúdios sabem que conceder essas mudanças de regra, mesmo que sem comprometer financeiramente os contratos, levará a uma mudança radical no poder da indústria do entretenimento.

Mas a principal alteração deve ficar por conta da indústria da televisão, que é muito mais sensível a uma parada como essa. Uma prática extremamente cara, mas comum nos Estados Unidos, é a dos conglomerados de TV produzirem quase metade de uma temporada de uma nova série com recursos próprios. E só depois disso apresentá-la para possíveis anunciantes. Como a indústria lá é muito bem azeitada, a coisa funciona. Mas sem poder produzir material novo, a prática deve ser alterada para alguma coisa mais parecida com o que acontece aqui no Brasil, em que o projeto só é tocado para diante depois do financiamento estar garantido.

O que é certo é que essa greve deve ainda se alongar muito em discussões financeiras e ideológicas.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Florian Henckel von Donnersmarck


Para o ganhador do Oscar de melhor filme em língua estrangeira, Florian Henckel von Donnersmarck, o único modo de se fazer um filme que vai lançar a sua carreira é fazê-lo do seu próprio jeito. Nascido em 2 de maio de 1973, ele passou a infância entre a sua Alemanha natal e os Estados Unidos. Na adolescência, von Donnersmarck foi estudar filosofia na Universidade Oxford, na Inglaterra, e em São Petersburgo, na Rússia.

Depois desse tempo de estudos acadêmicos, ele voltou para a Alemanha e foi trabalhar como professor de direção na Academia de Cinema de Munique. Lá, von Donnersmarck dirigiu e produziu diversos curta-metragens, mas nenhum deles satisfez as suas expectativas criativas. Então em 2001, ele deixou a escola para trabalhar no seu longa-metragem, A Vida dos Outros.

Ambientado nos anos 1980 em Berlim Oriental, o filme conta a história de um agente secreto da Stasi que começa a se envolver emocional e eticamente com um casal que ele deve manter sob vigilância.

Todo o processo de criação do filme, do roteiro até a finalização, levou cinco anos. Finalmente em 2006, o filme foi lançado e recebeu uma tremenda recepção por parte da crítica internacional.

Sala escura (7, 8 e 9 de dezembro)

Sugestões do Cinemais para o fim de semana nos cinemas.

A Vida dos Outros (Das Leben der Anderen, Donnersmarck, ALE, 06)
Ganhador do Oscar de melhor filme em língua estrangeira, esse drama é ambientado em Berlim Oriental no ano de 1984. O capitão Wiesler (Ulrich Muhe) é um dos melhores e mais dedicados funcionários da polícia secreta, a Stasi, que vigia toda a população da porção comunista de Berlim.Wiesler é encarregado de levantar informações contra um dramaturgo, porque o seu superior está interessado na esposa dele. Mas Wiesler nada consegue que desabone o artista. Um filme sobre lealdade, obediência e justeza moral. Preste atenção em como o diretor, mesmo em seu filme de estréia, consegue um equilíbrio perfeito entre o horror da tortura e o cômico de um Estado vigilante.

A Coragem de Amar (Le Courage d'aimer, Claude Leloch, França, 2005)
Do diretor Claude Leloch, que também assina Crimes de Autor, em cartaz em São Paulo, esse filme é o segundo de uma trilogia, que conta histórias entrelaçadas sobre a vida comum em Paris. Vale a pena ser visto pela sensibilidade de Leloch na fotografia plana do filme. Seus personagens soam naturais ao extremo, como se estivéssemos sentados num café assistindo à cena de um mendigo que se diz Deus vociferando do lado de fora.

Bee Movie - A história de uma abelha (Steve Hickner, EUA, 2007)
Mas recente animação feita pela Dreamworks, o filme conta a história de uma abelha que, saída da faculdade, se frustra com as perspectivas da carreira de produtor de mel. Depois de conhecer uma mulher humana, ele decide entrar com um processo contra todo o mundo. Uma ótima comédia sobre as frustrações da vida corporativa e sobre a mania norte-americana de resolver tudo nos tribunais. Uma pena os exibidores ainda pensarem que animação é coisa para crianças. Todas as cópias da pré-estréia são dubladas -- perdemos assim a voz original da abelha, Barry B. Benson, feita por Jerry Seinfeld, que também é um dos roteiristas.


Onde ver:
  • A Vida dos Outros
Cine IG, 1 - 14h - 16h30 - 19h - 21h30

Espaço Unibanco, 2
- 14h - 16h30 - 19h - 21h30
0h - sáb.

Frei Caneca Unibanco Arteplex, 2 - 13h20 - 16h - 18h40 - 21h20
0h - sáb.

HSBC Belas Artes, Cândido Portinari - 13h30 - 16h - 18h30 - 21h
23h30 - sáb.

Kinoplex Itaim, 5 - 15h - 17h50 - 20h40
23h20 - sex. e sáb.

Multiplex Bristol, 6 - 13h - 15h45 - 18h30 - 21h15
23h59 - sex. e sáb.

Reserva Cultural de Cinema, 1 - 16h10 - 18h50 - 21h30
0h - sáb.

Shopping Center Iguatemi, 1 - 13h - 15h45 - 18h30 - 21h15

Shopping Jardim Sul - UCI, 2
- 15h - 17h45 - 20h30
12h15 - sáb. e dom.
23h15 - sex. e sáb.

Shopping Market Place - Cinemark, 8 - 13h25 - 16h20 - 19h25 - 22h25

Shopping Villa-Lobos - Cinemark, 5
- 13h30 - 16h20 - 19h20 - 22h20

  • A Coragem de Amar
Cine Bombril, 2 - 14h - 16h - 20h - 22h

Cine Lumière, 1
- 113h - 15h10 - 17h20 - 19h30 - 21h40

Frei Caneca Unibanco Arteplex, 9
- 15h10 - 17h20 - 19h30 - 21h40
0h - sáb.

  • Bee Movie - A história de uma abelha

Moviecom Boa Vista, 3
- 15h15 sáb. e dom.
dublado

Shopping Anália Franco - UCI, 9 - 15h20 sáb. e dom.
dublado

Shopping Center Norte - Haway, 2 - 16h30 sáb e dom.
dublado

Shopping Interlagos - Cinemark, 10 - 15h05
dublado

Shopping Lar Center - Haway, 2 - 17h sáb. e dom.
dublado

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Lynch quer uma garota com apenas uma perna


Um amigo meu, quando eu estava começando a planejar esse blog, disse que gostaria de ler entrevistas com grandes realizadores do cinema. Algo que ele não encontra na imprensa cultural. Lembrei dele ao assistir ao documentário Lynch (Blackandwhite, EUA, 2007).

O filme desvenda cenas incríveis do trabalho de Lynch durante dois anos em que ele preparou e filmou seu mais recente filme Inland Empire (2006). O universo de Lynch é desvendado em momentos que recriam na realidade a fantasia dos seus filmes. Como na cena em que ele pede para que um assistente arrume "uma garota de 16 anos com apenas uma perna". O assistente não hesita em sair para dar alguns telefones para encontrar uma atriz que se encaixe na descrição.

O filme será um extra maravilhoso quando Inland Empire sair em DVD. No documentário, Lynch surge em seu ambiente natural como diretor e criador, gritando e xingando sua equipe, revendo e aprovando cenas, sentado durante minutos em um mutismo criativo.



Filmado parte em vídeo e parte em Super-8, o documentário não se restringe apenas aos bastidores das filmagens de Inland Empire. No filme, vemos um pouco da história pessoal de Lynch. Ele nasceu na cidade de Missoula, no Estado de Montana, em 1946. Mas esse pouco é bem pouco mesmo. Como eram os pais do cineasta? Como são as relações dele com a sua família? Quem ele ama? Quem ele odeia? Nada disso chega perto de ser respondido.

O que vemos em profusão é a relação de Lynch com os seus assistentes de filmagem. Quase todos eles são jovens e extremamente prestativos na tentativa de satisfazer cada um dos pedidos do gênio que pajeiam. Encontrar um macaco treinado para participar de uma cena, ouvir os relatos de Lynch sobre filmagens de clássicos como Mulholland Dr. (2001) ou Blue Velvet (1986) ou apenas ir correndo atrás de uma adolescente perneta, são as funções que Lynch determina para cada um deles.

O momento em que o documentário cresce é na terceira entrevista longa com Lynch. Nela, o diretor, que soma mais de quarenta anos de carreira, confessa que não tem certeza do que está fazendo no filme Inland Empire. Ele se mostra inseguro sobre a narrativa e o ritmo que está pensando em dar ao filme. Pode soar estranho um dos mestres do cinema atual ser revelado em um momento de fraqueza criativa, de dúvida sobre as suas escolhas estéticas. Mas, no final, é sobre isso que Lynch, o documentário, versa. Sobre a luta incrível do criador contra seus próprios demônios, sua luta intestina pela criação.

O diretor do documentário é mais um mistério à la Lynch. Nos créditos, lê-se apenas "Blackandwhite". Nada mais é possível descobrir sobre ele na internet.

A produção do documentário foi seguida em um blog, que ainda está no ar com alguns detalhes e notas interessantes. Como as anotações em folhas de papel para guiar as entrevistas do diretor com o cineasta.

Em última análise, Lynch é um documentário expositivo, não é em momento algum questionador. Nós vemos uma "biografia autorizada". Nós não temos dúvidas a respeito do cineasta esclarecidas, nós apenas ouvimos mais um história contada por David Lynch.